Ainda durante as minhas abençoadas férias no Rio Grande do Norte, fiz uma afirmação que reconheço como mais do que ingênua: "Eu não estou nem aí para o BBB. Não gosto de BBB. Não me importa."
Percebem como fui ingênuo? Não há quem se livre das influências dessas coisas. Mesmo quem não assiste, acaba sendo tocado pelas garras dos reallity show. Infelizmente.
Não é que acabemos assistindo ou curtindo, torcendo etc. As influências são outras. Mesmo quem não gosta de Big Brother e nem assiste está sujeito as influências desta aberração televisiva. De que forma? Muito simples. Uma vez que tenha contato com o tema, você passa a ser contra ou a favor, mas não se livra dele. Eu começo o discurso por casa mesmo. Quando eu escrevo este texto e quando você lê, estamos dando alguma atenção ao BBB, mesmo que negativa.
No facebook, ao saberem que ia começar os diletos internautos começaram um movimento de dizer que em menos de nada iriam começar os posts sobre o acompanhamento do BBB. Resultado, eles mesmos deram início ao dito movimento. Foram tão ingênuos quanto eu, pois não é desse jeito que se param as torrentes indesejáveis. Se assim fosse, não seriam indesejáveis, bastava pedir que parariam e aí não haveria incômodo. Outra coisa é que quando fazemos uma crítica assim, desencadeamos uma guerra. Existem pessoas que de fato creem que o BBB é importante e que encaram uma crítica como esta que estamos fazendo, por exemplo, como uma ofensa. Logo...
E isso é só o começo. Ligue a televisão em canal aberto e você vai ver uma coisa só. O BBB que assoou o nariz, o outro que pediu licença e o outro que não concedeu. Quem mostrou a calcinha, quem tirou a sunga e quem está debaixo do edredon. Se colocar em um canal mais dedicado à cultura e à ciência, vai encontrar gente "baixando o sarrafo". Até o meu dileto Irmão do Leia a Bíblia (ótimo e recomendado blog evangélico) acabou comentando. Ter gente contra também é o segredo. "Fale mal, mas fale de mim". É um adágio que dá muito certo na televisão.
A gota d'água foi a invenção de um estupro. Claro que isso saiu da cabeça
miolo-mole de alguém lá da Globo. Venhamos e convenhamos, já são 12 anos desse programa e uma hora ou outra tem que haver uma polêmica. Apimenta as coisas e garante mais IBOPE.
A parte ruim é que um programa como esse, exercita a nossa vontade de ser deus, mas deus com "d" minúsculo mesmo. Porque não é nosso Deus forte, misericordioso, infalível e amoroso. Não. É um deus antropomórfico demais, que coloca seres dentro de uma pequena jaula e fica olhando "o circo pegar fogo", além de ir controlando as pessoas. Eu acho bem nocivo. É um belo apelo a nossa nada insólita vontade de saber da vida alheia. Afinal, quem nunca olhou para a casa de algum vizinho e não ficou curioso sobre alguma coisa? A ética, a moral, o respeito e alguns valores cristãos evitam que façamos isso, mas o BBB clama exatamente que não há o que se preocupar com eses pudores.
E como temos que ter conhecimento para saber falar de algo, eu admito sim que assisti a primeira edição do BBB. Assisti, não assisto mais. E mesmo assim, naquela época eu assisti os primeiros episódios, mas encontrei o Pasquim a tempo de me abrir os olhos. A partir daí pulei para o lado de cá do muro e hoje sou contrário por demais ao programa. Acho que é um tempo que poderia ser melhor gasto.
Bem, feitas as minhas considerações, irei ao facebook e ao twitter fazer a divulgação desta postagem e espero encerrar por aqui os comentários sobre o BBB, Afinal, já dizia minha querida professor Urandir Tavares, da minha bem feita 4ª série: "Palhação só se apresenta se tiver platéia."